quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Invencível




Unbroken
Direção: Angelina Jolie.
137 minutos - Drama - Estados Unidos - 2015
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen, Richard LaGravenese e William Nicholson, baseado no livro escrito por Laura Hillenbrand.
Elenco: Jack O'Connell, Takamasa Ishihara, Domhnall Gleeson.

Primeiro filme de Angelina Jolie como diretora, narra acontecimentos vividos pelo atleta olímpico Louis Zamperini (Jack O'Connell), feito prisioneiro de guerra pelos japoneses durante a segunda guerra mundial. 

As cenas inicias do filme nos colocam no meio de um bombardeio aéreo, conduzido de forma muito realista e bem planejada, onde somos apresentados ao protagonista e alguns de seus companheiros. Os personagens não são muito bem desenvolvidos, sendo que o "vilão" é completamente unidimensional (qual o sentido de bater em Louis ou de se sentar ao lado do personagem e dizer que são amigos?).

Embora tenha muitas virtudes técnicas (os efeitos especiais das cenas de guerra, o figurino e a fotografia do filme são muito bem executados), deixa muito a desejar na parte dramática, culminando num clímax patético cujo único objetivo é trazer alguma emoção aos espectadores já enjoados das cenas de tortura e violência gratuitas (cujo objetivo nunca fica muito claro). 

Não sei se fiquei mais surpreso ao descobrir que o filme foi escrito com participação dos brilhantes irmãos Coen (Ethan e Joel, cuja filmografia é no geral excepcional incluindo Onde os Fracos não Têm Vez e Fargo, apenas para citar duas de suas obras premiadas), ou se pelo fato de precisar pesquisar sobre quem eram os roteiristas do filme. Esse longa praticamente nada tem a ver com os trabalhos realizados por esta dupla.

Mesmo com uma cadência muito lenta, em especial em seu segundo ato cujo final é bastante previsível, esse O Invencível será esquecido por nós num ritmo quase tão rápido quanto do protagonista nas provas que disputou.


Adriano Cardoso

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Filmes vistos em Janeiro/2015

Segue abaixo lista dos filmes que assisti nesse mês de Janeiro. Fiquem a vontade para discutir e ou comentar!

TÍTULO
AVALIAÇÃO
Caçada Mortal (Estados Unidos-2014)
**
A Entrega (Estados Unidos-2014)
**
A Teoria de Tudo (Reino Unidos-2015)
***
A Testemunha (Estados Unidos-1985)
****
As Duas Faces de Janeiro (Estados Unidos-2014)
***
Boyhood - Da Infância à Juventude (Estados Unidos-2014)
*****
Ensina-me a Viver (Estados Unidos/1971)
*****
Exôdo: Deuses e Reis (Estados Unidos/Reino Unido/2014)
**
Frank (Reino Unido-2014)
****
Garota Exemplar (Estados Unidos-2014)
*****
Grandes Olhos (Estados Unidos-2015)
***
Livre (Estados Unidos-2015)
***
O Estranho Thomas (Estados Unidos-2013)
**
O Jogo da Imitação (Reino Unido/Estados Unidos-2015
****
O Quinto Poder (Estados Unidos/2013)
**
Pride (Reino Unido-2014)
****
Quase Famosos (Estados Unidos-2000)
****
Relatos Selvagens (Argentina-2014)
****
The Normal Heart (Estados Unidos-2014)
****
Tickle Head, O Melhor Lugar da Terra (Canadá-2013)
****
Uma Boa Mentira (Estados Unidos-2014)
****
Whiplash - Em Busca da Perfeição (Estados Unidos-2014)
*****

Adriano Cardoso

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CRÍTICA: A Teoria de Tudo


The Theory of Everything
123 minutos - Drama - Reino Unido - 2015
Direção: James Marsh
Roteiro: Anthony McCarten, baseado no livro escrito por Jane Hawking
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior

Quem é Stephen Hawking e o que ele fez de importante para a humanidade? Estas são as perguntas que nos fazemos após assistir a este A Teoria de Tudo. O filme começa com Hawking (Eddie Redmayne) correndo de bicicleta com um amigo em Cambridge, então o vemos numa festa no campus onde de forma não muito orgânica ele conhece Jane (Felicity Jones) e acompanhamos então a progressão de sua vida, passando pelo diagnóstico de sua doença, seu casamento e suas publicações. 

Há cenas inspiradas como aquela na qual começamos a ver o close do olho de uma personagem sendo iluminado por uma lareira e através de um raccord  a formação do sol, ou então a cena na qual Hawking recebe o diagnóstico sobre sua doença: médico e paciente sentados lado a lado, o diretor utiliza lentes angulares e close no rosto do médico, dando a impressão  de aprisionamento, sufocamento,  e ao mesmo tempo podemos notar uma certa distorção de tudo ao redor, como se o mundo do protagonista ficasse deformado. Mas outras cenas nem tanto, como aquela patética na qual Hawking durante uma palestra vê a caneta de uma jovem cair e deseja ajudá-la.

A dupla de atores principais tem boas atuações. Jones mostra uma garota apaixonada e leal, querendo superar a expectativa de todas as pessoas próximas que não acreditam que ela teria forças pra isso, disposta a tudo para ficar ao lado de Hawking. Notas suas dificuldades e seu sofrimento, especialmente conforme a doença do marido progride. Enquanto isso Redmayne, embora sabotado pelo roteiro, compõe um Hawking nada tímido e bem humorado, com uma semelhança física incrível a da persona original. Reparem nas pequenas mudanças e sutilezas, como por exemplo a caligrafia na lousa pouco antes de sua doença ser diagnosticada, ou então no rosto pendendo mais para o lado direito, algo que vai se acentuando conforme o filme e sua condição avançam.

Uma pena que o roteiro não contribua. Centrado na condição física de Hawking e no relacionamento do mesmo com Jane, nos obriga aceitar que Hawking é um gênio, que aquele aluno prodígio respondeu 9 de 10 questões impossíveis passadas por um professor horas antes da aula sem ver como ou o que ele pensou. Nunca vemos como é a maneira do sujeito de pensar, ou como elabora tais teorias que viraram livros importantíssimos e o fizeram ser reconhecido mundialmente como uma das mentes mais brilhantes. Outro grande problema diz respeito às adversidades: ninguém implica com ele ou com sua condição física, por onde passa é bem aceito e bem tratado. 

O Hawking que nos é apresentado tem ótimo senso de humor, mesmo levando em conta sua condição física, ficou famoso publicando livros importantes, mas após assistirmos a este A Teoria de Tudo, a razão de sua importância continua sendo tão indecifrável quanto a matemática empregada nas teorias que ele criou na realidade.


Adriano Cardoso

sábado, 31 de janeiro de 2015

Relatos Selvagens



Relatos salvages 
115 minutos - Drama/Comédia - Argentina - 2014
Direção: Damián Szifrón
Roteiro: Damián Szifrón
Elenco: Ricardo Darín, Leonardo Sbaraglia, Darío Grandinetti, Erica Rivas

Relatos Selvagens nos apresenta seis histórias diferentes sem conexão umas com as outras sobre alguns comportamentos humanos comuns, com desenvolvimento e consequências desesperados e absurdos. A única coisa em comum em todas as tramas é a "vingança", presente em alguma parte de cada conto. Temos uma vingança extremamente planejada, uma pessoa que se sensibiliza com uma história e resolve se vingar, uma vingança feita contra um sistema, alguém que se vinga da pessoa errada... 

Mesmo com pouco tempo os personagens são relativamente bem construídos, não sendo complexos mas, tampouco sendo apenas uma caricatura, servindo ao propósito das histórias. Temos um homem rico que quer livrar seu filho da prisão, o advogado aproveitador, o cidadão indignado com a burocracia e incompetência de servidores públicos, por exemplo.

Despertando risos com cenas inteligentes (os diálogos da primeira história são engraçadíssimos!), criando alguns momentos fortes de tensão (como nas cenas do personagem preso no carro na terceira trama), Relatos Selvagens nos prende do começo ao fim, e embora a quarta e a sexta história sejam um pouco mais longas do que o necessário, nos traz uma grata experiência esfregando na nossa cara as consequências de alguns sentimentos e frustrações comuns em nossa vida.


Adriano Cardoso

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CRÍTICA: O Jogo da Imitação






The Imitation Game
114 minutos - Drama - Estados Unidos/Reino Unido - 2015
Direção: Morten Tyldum
Roteiro: Graham More, baseado no livro de mesmo nome de Andrew Hodges
Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode

O título do filme é uma referência ao principal trabalho públicado por Alan Turing (Benedict Cumberbatch) matemático prodígio e grande responsável por decodificar o código utilizado pelos alemães na segunda guerra mundial. O âmago do filme é confronto de investigadores que já na década de 50 acreditam que Turin seja um espião soviético, e assim vamos conhecendo mais sobre sua trajetória, seu trabalho e até mesmo sua infância.

Cumberbatch tem certamente uma das melhores perfomances de um ator no ano e cria um personagem extremamente complexo, despertando em nós repulsa, raiva, estranhamento, dó e risos. Um indivíduo isolado, que por vezes chega a gaguejar na tentativa de se expressar, arrogante não se intimida com autoridades, e cuja construção de sua máquina parece ser a salvação para sua solidão. Quando conhece Joan (Knightley, que consegue nos convencer como uma mulher inteligente e feminista num ambiente machista e retrógrado) seu universo se expande pois ele encontra alguém parecido com ele, uma pessoa que não se enquadra no ambiente e tem dificuldades de ser aceita, por razões que nem precisam ser explanadas.

A direção de arte é bastante eficaz na recriação de época, desde o figurino até elementos de cena, como rádios e ferramentas. Enquanto a direção de Tyldum é segura, dando espaço para os atores empregarem suas emoções com cuidado, sabendo alternar bem entre cenas passadas e do presente do protagonista.

O filme flui de forma orgânica, e o roteiro é hábil ao ir revelando aos poucos mais sobre seu complexo protagonista, e embora o final seja óbvio e conhecido é gratificante ver a crítica feita pelos idealizadores à repressora e arcaica sociedade inglesa, cuja monarca concedeu anistia a Turing por seus "crimes" (leia ser homossexual, algo proibido até quase o final da década de 60) em 2013.



Adriano Cardoso

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Grandes Olhos





Big Eyes
106 minutos - Drama - Estados Unidos - 2015
Direção: Tim Burton
Roteiro: Scott Alexander, Larry Karaszewski
Elenco: Amy Adams, Christoph Waltz,  Terence Stamp

A história se passa nas décadas de 50-60 e nos apresenta a Margaret (Amy Adams), mãe solteira que acaba de se separar do marido opressor e busca trabalho na Califórnia. Artista cuja única inspiração é sua filha, conhece Walter Keane, (Christoph Waltz) que pouco depois a pede em casamento, uma maneira também de Margaret manter a guarda da filha contestada pelo marido numa sociedade extremamente machista. Keane tenta vender seus quadros e os de sua esposa sem muito sucesso até que um incidente nos tablóides atraí a atenção de pessoas, entretanto elas se interessam apenas pelos quadros de sua esposa, que inicialmente são acidentalmente associados a Walter, pois Margaret agora está assinando com o sobrenome Keane... Embora a vida se torne inicialmente um paraíso para a protagonista, logo surge um sentimento de angústia e frustração por trabalhar arduamente e ver seu trabalho associado a outra pessoa, o que é o conflito central do filme. 

O casal de protagonistas se sai muito bem. Adams interpreta com maestria uma mulher que sofre uma violência psicológica quase imperceptível, fazendo as vontades do marido, se distanciando de amigos e da filha. Waltz tem uma grande atuação, o jeito do personagem por diversas vezes nos leva ao riso, até o começo do terceiro ato, onde seu comportamento soa desproporcional e atrapalha o andamento do filme na tentativa de extrair risos forçados da plateia. O roteiro sabota o filme a partir de seu segundo ato com reviravoltas cuja função é apenas mover a história numa determinada direção, chegando a ficar insuportável em seu ato final.  

A direção de arte, algo sempre marcante nos trabalhos de Tim Burton, aqui também se faz presente, sendo possível inclusive notar uma diferença nas cores dos objetos e figurinos dos personagens a medida que vão se tornando mais infelizes (por exemplo o sofá vermelho vibrante, que dá lugar a um verde monótono), ou no caso de Margaret, conforme se torna mais sufocada. Um filme que ao contrário dos quadros de olhos grandes, não vai virar moda ou fazer qualquer sucesso.


Adriano Cardoso

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Livre



Wild
115 minutos - Drama - Estados Unidos - 2015
Direção: Jean-Marc Valée
Roteiro: Nick Hornby, Cheryl Strayed
Elenco: Reese Whiterspoon, Laura Dern, Thomas Sadoski, Michiel Huisman

Baseado em uma história real Livre narra a jornada de Cheryl Strayed (Reese Whiterspoon) que percorreu todo o percurso andou mais de 100 dias o percurso  da Costa do Pacífico, que vai da fronteira dos Estados Unidos com o México até o Canadá. A história da protagonista vai sendo revelada aos poucos, a medida que ela vai se lembrando de acontecimentos marcantes na sua vida, com relação às adversidades encontradas na viagem. Infelizmente a direção não ajuda tanto, sendo que os problemas e adversidades encontradas pela protagonista nunca chegam a nos atingir, muito se deve ao fato do filme ir e vir o tempo todo (o que muitas vezes é algo bom uma vez que vamos conhecendo mais da protagonista e de sua história de forma orgânica), tirando o nosso foco do que está acontecendo no momento, e quando a história retorna ao presente já não estamos mais envolvidos com aquele acontecimento e a adversidade é resolvida rapidamente. Contando com ótimas apresentações das atrizes principais (Whisterspoon carrega praticamente o filme todo nas costas com uma personagem complexa e que mostra seus medos angústia e força de superação, enquanto Laura Dern, mostra uma mãe doce e presente que serve de motivação para a Filha nos momentos mais difíceis) Livre é um bom filme, com fortes personagens femininas, uma história convincente e belas paisagens.


Adriano Cardoso